
Aquele Anjo encrenqueiro reconsiderou seu impedimento e concordou com a divulgação dos textos, com a seguinte condição: Eu largar mão da idéia inicial na opinião dele egoísta e exclusivista, de focalizar os comentários apenas nas minhas dificuldades e conflitos. Ser abrangente. Eu concordei. Ele tem razão. E discutir com anjo não deve ser muito bom prá continuidade do escritor do blog.
Outra condição imposta foi de não me referir a ele. Disse que eu bem que podia falar da ida ao cajueiro, coisa e tal, mas que deixasse pro entendimento de quem o tiver, de que a mensagem vinha dele ou não.
Besteira porque em vez de intitular Papo de Anjo, vou dizer, na Sombra do Cajueiro. Prá ele não; mas prá mim dá na mesma. Mas deixa prá lá. Isso é coisa de Anjo.
Vou repetir o texto divulgado em 29/09/09 e retirado estrategicamente.
"Apareceu um anjo aqui no pedaço.
Aterrisou para descansar um pouco dos seus vôos angelicais e ficou por aqui de bobeira.
Fui me aproximando assim de fininho, para não assustar o anjo nem para me assustar é claro, pois não sabia o que poderia acontecer quando se chega perto de um anjo. Era mais uma visagem do que uma figura real assim de carne e osso. Meio transparente meio translúcido, meio uma névoa, porém bastante visível e palpável. Tava ali sentado no galho do cajueiro, com as pernas balançando. E como que eu sabia que era um anjo? Intuição. Bateu logo na moleira que aquilo lá só podia ser um anjo e por tabela, vinha me anunciar alguma coisa. Dinheiro. Tá na cara que o negócio ia descambar pra necessidade mais necessária por aqui. A boa nova só podia ser dinheiro.
Com esse pensamento, fui chegando por ali, dei um oi no que fui logo respondido. Surpresa do anjo.
- Tás me vendo? Disse o visitante.
- Acho que tô, respondi. Mas o amigo poderia melhorar um pouco a imagem porque a recepção está um pouco fora de foco.
Ele, bem humorado, achou legal que eu o tenha visto. Melhorar a imagem ele não podia. Tinha visitado uma área do universo cuja vibração era muito elevada, por ali bem pertinho do Criador e o efeito foi que passou a ser notado por todos os seres que tivessem com o pé-na-cova. Quero dizer, com a missão aqui na terra perto de terminar.
Égua! Deu um frio na barriga! Pensava que vinha dinheiro na notícia e o negócio era mais enrolado!
- O que o amigo queria! Disse o anjo. Estás esperando o que com sessenta e cinco anos de viagem. Nessa quilometragem meu irmão, tudo se esclarece, tudo se encaminha pro seu regresso. Fica frio porque provavelmente tá faltando muito tempo ainda porque a imagem está desfocada. Se a sintonia tivesse legal, aí sim. O irmão ia precisar se apressar um pouco nos providenciamentos para o regresso.
Aí eu me tranqüilizei. Nada de dinheiro, mas também nada de pressa prá voltar para casa.
- Então! Como é do lado de lá? Perguntei. Claro! Tinha que tirar proveito daquela visagem! Tarde tranqüila, vento soprando, sombrinha maneira, Fca tinha ido levar uma candidata para o emprego, cata-vento rodando, tudo em paz... Então a tarde se encaminhava para um bate papo agradável. Sentei por ali na sombra do cajueiro, mandei o Huck calar a boca e aguardei confiante.
- Pois é! O lado de lá é legal. Disse o anjo. Para uns, muito legal. Para quem não está ligadão na transição, é meio confuso. Às vezes, muito confuso. Mas eu não posso ir dizendo as coisas do lado de cá assim, sem mais nem menos. O amigo está muito despreparado para saber dessas coisas. Tá bom, que tem alguma coisa aí ajudando porque estamos mantendo esse papo. Já é bom sinal. Mas ainda precisa tirar umas cascas grossas agregadas aí na sua aura para ter acesso a vibrações mais sutis.
- Tipo o que? Perguntei.
- Tipo sua familiaridade com a maioria dos sete pecados capitais.
- Eu? Que negócio é esse? Tá que não sou santo, mas daí a estar familiarizado com os sete pecados capitais é osso.
Tá bom! A curiosidade (que não é pecado nenhum) matou o gato.
E quais as chances de você me ajudar prá que eu consiga "rapi-10" raspar a grossura da casca antes de viajar pro lado de lá?
- Curiosidade pode estar no mesmo nível vibratório da Vaidade meu irmão. Disse o anjo.
Mas a bondade infinita Daquele que nos Criou pode interceder nesse caso.
Sempre que o irmão se sentar nesse mesmo lugar buscando conhecimento, será atendido.
- E como vou reconhecer onde devo melhorar se me acho mais ou menos legal?
- Pelos conflitos meu irmão. Sempre que você se encontrar em conflito com seu irmão, com o universo ou com você mesmo, está aí um assunto para um papo com seu Anjo. Sempre me encontrará aqui.
E não precisa perguntar. Lerei no seu íntimo o que lhe aflige e serás orientado.
- E como é o seu nome? Perguntei.
- Da Guarda. Pode me chamar de Anjo da Guarda. O meu nome real o irmão só saberá no nosso último papo.
E dizendo isso, o anjo começou a sumir, devagarinho, sorrindo com a cara de gozação típica de quem aprontou uma boa."
Durval

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