
Eu vou partilhar com os únicos dois leitores eventuais deste blog, uma experiência inesquecível que vivenciei um dia desses:
Ano passado, uma candidata assumiu por telefone para conosco uma atitude deselegante e descortês. Fiquei uma fera. Decidi retribuir na mesma moeda, tão logo que ela por descuido ou por cara lisa, nos procurasse outra vez.
Aqui e acolá eu dava uma olhada na ficha dela e comentava com a Fca: “Me Aguarde!”. E eu antevia o momento "sublime" de glória de devolver o desaforo na mesma moeda..."Quem é vivo sempre aparece..." E aí eu fiquei na moita...
O tempo passou e um ano depois, a criatura me liga de novo e pelo processo de busca do nosso sistema, foi identificada como “a própria!”.
E eu na bucha, disse o que eu tinha guardado um ano inteiro. Disse com calma, mas disse. Para desespero meu, ela retrucou com aquela voz fanhosa:
_”Não! Eu vendi o telefone faz tempo! Não é mais meu não!”.
O caso é que eu não tava falando coisa nenhuma de telefone. O que ela retrucou, não tinha nada com o que eu estava escrachando. E por mais que eu insistisse em repetir meu desabafo e colocar coerência na conversa, ela continuava:
_”Aquele telefone não é mais meu não!. Eu vendi o chip faz tempo!”.
Agora faz a cena: Eu “P” da vida, dizendo de cá:
_Quem tá falando de chip. Tô falando é da grosseria que você disse e blá...blá...blá...
E ela de lá:
_”Vendi tá fazendo tempo! Esse chip não é mais meu não!”.
Quando eu vi que não tinha papo lúcido, eu dei por encerrado o assunto e desliguei o telefone, me sentido muito pior do que eu tinha começado.
Vejam só o que aquela criatura me fez:
Passei um ano carregando aquela ofensa, aguardando pacientemente o momento de devolver o desagravo e ela tentou me fazer ficar com isso entalado pelo resto da vida. Só porque não aceitou minha ofensa. Atitude sábia a dela.
Vejamos a estratégia dela:
Não comentou, não se desculpou, não desmentiu, não se importou a mínima com o que eu estava dizendo, desconsiderou totalmente o assunto, foi em frente falando de um diabo de chip que não tinha nada a ver com o caso e vai por aí tocando a vidinha dela, lépida e fagueira, numa “nice” sem culpas e pronta para encher o “saco” de alguém, pelo visto, impunemente.
E lá vou eu.
Também decidi que falar do “chip” é que é o negócio. Aprendi a lição. Devolvi a criatura para o lugar merecido dela, de onde ela jamais deveria ter saído, ou seja, na poeira do esquecimento, mas dessa vez com honras de sábia e com meus agradecimentos pela nobre lição de desapego.
Repete-se aquela velha história que lemos tantas vezes nos sites e ensinamentos budistas em que a ofensa só se completa se a gente aceitar. Se não, vai permanecer para sempre com quem desejou ofender. A entrega da encomenda não foi feita.
Duvido do nível de espiritualidade da vivente. Acho que assim agiu por instinto, por malandragem, por não ter honradez e estatura moral para assumir as conseqüências dos seus próprios atos. Um dia ou em algum momento ela não vai poder falar de “chip” para corrigir ou se livrar das conseqüências dos seus atos. E aí “Sifu”. A vida e as nossas escolhas sempre têm conseqüências.
Mas aí isso é problema dela. Mas que ela deu um “nó” muito bem dado no viajante aqui, isso deu.
Durval
