quinta-feira, 15 de abril de 2010

Temos escolha!


A boa notícia é que temos escolha.

Podemos dizer como o poema “Cântico Negro” de José Régio:

“Eu não vou por aí”.

Podemos escolher como acordar. De bem com a vida, de bom astral... Podemos escolher o que ouvir. Músicas enlevantes, inspiradoras...

Podemos escolher ao lado de quem acordar. Quem respeite o mundo... quem tenha luz...

Podemos escolher com quem seguir. Bem diferente de “a quem seguir”.

Os verdadeiros companheiros de viagem não são seguidos. Não pretendem obediência. Habituaram-se desde cedo a caminharem ao lado. Dignamente. Sem despotismo nem tirania nem grilhões.

Aqueles que agrilhoam, temem a si mesmo por saberem-se incapaz e como a rêmora, põem-se a reboque para poderem navegar por paragens que por si mesmo jamais alcançariam.

Podemos escolher com quem trocar idéias. Quem comungue dos mesmos anseios que nós... Quem alcance nossas alturas.... Quem curta nossa estatura... Ou podemos escolher mesmo os simples e puros de coração pois ali reside a Graça.

Todas essas escolhas nos dirigem para a Luz ou nos afasta Dela.

Escolher a Luz pela Luz, pela Paz advinda da liberdade, sentindo no íntimo do seu ser a Presença Divina, traz uma liberdade que nenhum grilhão é capaz de submeter.

A liberdade está longe de ser apenas “Uma calça jeans azul e desbotada”.

Um ser livre é capaz de ir e vir, física e emocionalmente, de escolher suas companhias, seus sorrisos, seus caminhos, seu trabalho, suas crenças, seus amores, seus sonhos, seu Deus.

Essa liberdade é temida.

O ser livre descobre muito rápido a pobreza de espírito, a burrice, a ignorância o egoísmo e a maldade de quem o cerca e está tentando escravizá-lo.

Essa liberdade é vigiada pelos menores, pelos anões espirituais, pelos incapazes.

Como náufragos, empurram seus salvadores para o fundo da depressão e do mal estar.

Essa liberdade não é tolerada pelos tolos e pelos incultos.

Mas a boa nova é:

Temos escolha. O preço é alto. Exige o sacrifício às vezes de uma vida, mas vale a pena.

O pior é que muitas vezes renunciamos à nossa liberdade.

Começamos a murchar, a pele literalmente perde o viço, relaxamos nosso corpo, relaxamos nosso espírito. Perdemos nossa conexão com a Fonte.

A renúncia à liberdade nos faz amargos, mal humorados.

Distancia-nos da Luz.

Nas trevas estão abrigadas além da nulidade e da ignorância, hostes de maldade e violência.

Vemos nossa vida sendo levada de roldão no torvelinho de acontecimentos inexplicáveis, dolorosos, que nem sabemos como chegamos tão longe.

E a boa nova é que temos escolha.

Sempre poderemos nos voltar para a Luz e como num sonho, as trevas se dissipam, pois “AS TREVAS SÃO A AUSÊNCIA DA LUZ”.

Vimos recentemente o desfecho de uma tragédia cujo julgamento foi motivo de atenção do Brasil inteiro. Aquela família teve escolha. Preferiram permanecer numa rotina de conflitos e infelicidades.

Caramba! Tiveram escolha! Tiveram tempo! Quantos avisos devem ter recebidos! Quantos conflitos devem ter vivenciado e não ouviram!

Podiam mudar de casa, de marido de mulher, de emprego, de bairro, de cidade.

Permaneceram enfurnados, atrelados a uma convivência com tragédias menores até que a tragédia maior aconteceu.

Não devemos zombar das tendências de cada um.

Naturezas atormentadas, violentas, intransigentes, que admitem pela força e pela brutalidade são companhias de resultados duvidosos.

Agimos conforme nossa natureza. Ninguém muda ninguém.

Só um esforço pessoal supremo de retorno à Luz conduz ao religare .

Portanto tenhamos coragem e vamos ensaiar uma liberdade plena. Hoje! Agora!

Escolhamos nossos clientes, nossos amigos, nossos passeios, nossos programas de TV, nossos filmes, nossas companhias, pelos seus comprometimentos com o Bem Maior, com a paz e a harmonia.

Digamos alto e com um largo sorriso:

“Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou

Só sei que não vou por aí!”

Durval

Ver na íntegra o poema de José Régio no site: www.releituras.com/jregio_cantico.asp