domingo, 14 de março de 2010

Vamos ao cinema!


De repente, a notícia se espalhava não sei como.
E junto com a notícia, uma felicidade incontida.
Entre pulos de alegria, quase aos gritos a gente dizia:
Hoje tem cinema!!!!!!!! Numa alusão ao fato de que em algum lugar do bairro, seria projetado nas paredes dos oitões das casas, filme sonoro.
E era só descobrir onde seria a projeção. Sempre era escolhida a parede do lado da Venda do Seu Nelson. Alta, pintada de branco como todas as casas do bairro. Ao ar livre. Só davam um jeito de apagar a luz do poste mais perto.
Lá íamos nós na maior felicidade do mundo. Aquelas pessoas que promoviam essas projeções, não tinham idéia de como essas noites eram importantes para nós, de como nos faziam felizes.
As exibições eram promovidas pelo Sindicato dos Tecelões, formado por operários do bairro que trabalhavam na fábrica.
O que seria exibido, não tinha importância nenhuma. O negócio era gritar de emoção quando a “cavalaria” aparecia para salvar os “mocinhos” dos “índios”. A "zoeira" só era igualada quando havia cena de beijo de boca. Era demais para o "caminhãozinho" da gente
Sentávamos ao lado das outras, cada qual com suas cadeiras. E lá pelas tantas, lá vinha chuva de areia. O cara ameaçava suspender a projeção. Era uma curtição geral.
O cinema do bairro era num galpão chamado “Recreio” frente à Fábrica.
Os bailes de carnaval, o pagamento dos operários nos sábados e todos os divertimentos ocorriam no Recreio. Nas noites de domingo, transformava-se em sala de projeção. Todos levavam suas cadeiras, pois o número de bancos compridos era insuficiente.
No Recreio assisti aos filmes que marcaram minha infância. “O Mágico de Oz”, “Juventude Transviada” e “Sindicato de Ladrões” com Marlon Brando, “E o Vento Levou”,”Os Brutos Também Amam” com Alan Lad, e por assim vai...
Belas lembranças...
Durval